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IÊDA MARIA ALVES DE OLIVEIRA
Eletra
     
 

 

         
 

Quais são as vantagens do trólebus e do ônibus híbrido para a redução da poluição atmosférica e para o aumento da qualidade de vida da população?

Quando olhamos para o escapamento de um ônibus convencional durante a aceleração, podemos ver a fumaça emitida. É esse material particulado que mata as pessoas nos centros urbanos e deixa o céu com aquela faixa cinza no horizonte. Ora, o trólebus não emite fumaça nem consome diesel, portanto emite zero e traz enorme benefício para as cidades. Já o híbrido possui um motor à combustão, que consome diesel e provoca emissões, porém a grande vantagem é que ao olhar para o escapamento de um híbrido nós não vemos fumaça, pois o que traciona o veículo é o motor elétrico, enquanto o motor à combustão opera estacionário (rotação fixa) acoplado a um gerador para gerar energia.

Desta forma os híbridos reduzem em 90% a emissão de material particulado. Este dado por si só já deveria ser suficiente para que as frotas de ônibus nos grandes centros urbanos tivessem uma participação expressiva de híbridos ou trólebus. O material particulado é o que causa doenças crônicas, internações e mortes nas cidades. Nós respiramos essas partículas e a fumaça do diesel é a que contém as piores partículas e são as maiores agressoras para a saúde das pessoas.

Os usuários do ônibus elétrico sentem a diferença?

As pesquisas indicam que o passageiro prefere o ônibus elétrico porque, além do conforto, existe a consciência ambiental e o reconhecimento de seus benefícios. Temos relatos de passageiros que esperam no ponto a chegada do ônibus elétrico para embarcar.

Quantos ônibus já foram fabricados e estão em operação no mercado? Existem encomendas de outros países?

Hoje a participação dos veículos elétricos no transporte urbano de passageiros ainda é pequena, porém a perspectiva de crescimento é grande, considerando a preocupação com as graves conseqüências da poluição no clima e na saúde. Trabalhamos por encomenda e no último ano nossa produção foi de 31 sistemas para ônibus elétricos. Temos hoje em operação 41 ônibus híbridos e 82 trólebus com sistemas projetados e fabricados pela Eletra. Estamos fornecendo 60 sistemas de trólebus para a Nova Zelândia e negociando a modernização das frotas de trólebus para a Cidade do México e de Guadalajara. Temos ainda várias negociações para a venda de híbridos em cidades brasileiras e em outros países.

Qual é a melhor opção de transporte nas grandes cidades: ônibus híbrido ou trólebus?

Depende do ponto de vista. Na questão ambiental, o trólebus é o melhor. Na questão de flexibilidade, o híbrido é melhor. Porém em qualquer situação do transporte urbano, o convencional é o pior.

Grandes montadoras já desenvolvem tecnologia híbrida, mas para o Primeiro Mundo.

Administrações municipais dos Estados Unidos, Canadá e da Europa optaram pela utilização de ônibus híbridos no transporte público, mesmo sabendo que eles custam mais do que o modelo convencional.

Os híbridos são reconhecidos, principalmente nos Estados Unidos, como uma solução disponível para baixar as emissões e as vantagens que esta tecnologia agrega (redução de emissão de poluentes, custo operacional, menor de consumo de combustível, conforto, vida útil etc.) compensam o custo mais alto. Enquanto a cidade de Nova Iorque comprou em 2003, 100 ônibus híbridos, ao custo de U$ 430 mil, para “experimentar” a tecnologia, a Eletra nunca conseguiu nem um centavo para desenvolvimento ou financiamento diferenciado para seus clientes.

Por que esse processo é lento no Brasil?

No Brasil o problema é outro. Não podemos esquecer que as grandes montadoras dominam o mercado de ônibus com os veículos convencionais a diesel e qualquer mudança nesta condição passa por uma evolução tecnológica que, tradicionalmente, não começam nos países do Terceiro Mundo. Exemplo disso é que todas essas empresas estão desenvolvendo a tecnologia híbrida, porém voltadas para o Primeiro Mundo.

A Eletra adotou uma postura de vanguarda e modificou esta ordem de prioridade, introduzindo no Brasil, um país do Terceiro Mundo, uma tecnologia avançada até em relação ao que se está desenvolvendo lá fora. O primeiro ônibus híbrido em operação comercial no mundo é nosso e operamos em linhas urbanas desde 1999. Quando começamos a apresentar os nossos primeiros modelos não havia um entendimento no mercado como existe hoje. E nós, como pioneiros, enfrentamos todas as dificuldade de introduzir tecnologia avançada.

Falta no Brasil uma política pública de transporte que inclua a utilização de ônibus com tecnologias limpas e financiamentos com regras que beneficiem o empresário que se dispuser a renovar parte da frota com ônibus elétricos. Além disso, é preciso também maior prazo de concessão para o operador nas licitações de transporte público, permitindo ao empresário diluir oinvestimento nos ônibus elétricos, além de compatível com a vida útil da frota. Hoje, as concessões giram em torno de 10 anos e os elétricos duram no mínimo 20 anos. Para isso, é necessário levar em conta os gastos do poder público com saúde, provocados pela má qualidade do ar, quando do levantamento financeiro para justificar o investimento em transporte limpo. Investidores começam a enxergar mercado para os veículos ecologicamente corretos.

 
 

Como vê o atual mercado interno de veículos elétricos e perspectivas de expansão?

O mercado interno para veículos com tração elétrica começa a atrair investidores. As grandes empresas têm inserido a responsabilidade social nos planos de crescimento e passam a investir em ações que possam vincular suas marcas a projetos de redução de emissão de poluentes. Neste contexto, surgem oportunidades que podem alavancar o comércio de veículos elétricos.

É preciso que a indústria automotiva enxergue os veículos com tração elétrica, principalmente o híbrido, como uma oportunidade de negócio e não como um concorrente. O Brasil tem uma das maiores frotas do mundo e é um mercado em potencial para estes veículos.
Não faz sentido esta hierarquia econômica imposta de que tecnologias avançadas só têm mercado no Primeiro Mundo.
O que é preciso é adaptar as tecnologias disponíveis à cultura e necessidades do mercado.
Costumamos dizer que o nosso híbrido tem uma característica muito peculiar e foi projetado para isso: o transporte público de São Paulo tem superlotação, vias irregulares e longa jornada (20 horas de operação por dia). Nós desenvolvemos tecnologia avançada para atender estas necessidades.

Como vê a conjuntura econômica hoje? Considera que o Brasil está no caminho certo?

Em 1990 eu era gestora de uma empresa e uma crítica voraz da reengenharia que veio destruindo estruturas focando economia baseada em corte de pessoal. Quantas vezes eu esbravejei: cada funcionário demitido é um consumidor a menos no mercado! Estar no caminho certo é gerar emprego, melhorar a renda, aumentar a eficiência e ter como meta desperdício zero.

O aumento do consumo é inevitável e a conseqüência disso é o crescimento da economia. Ainda estamos longe de chegar lá, mas temos de buscar estes objetivos e cobrar estas atitudes nas empresas e nos governos. Com o mercado interno consumindo é muito mais fácil superar crises externas da economia.
         
    Perfil da Eletra  
   

Especializada em tecnologia de tração elétrica para veículos de transportes urbano

Todos os trólebus projetados e fabricados no últimos 30 anos no Brasil foram desenvolvidos pela equipe que ainda etá na empresa

A Eletra faz parte de um grupo que atua nos setores de tranporte urbano de passageiros, fastfood, construção civil, imobiliário e cemitérios

Produção em 2007: 31 sistemas para ônibus elétricos

Ônibus em operação: 41 híbridos e 82 trólebus

Nº de funcionários: 58

Faturamento (vendas internas e exportações) em 2007: U$ 3,1 milhões

 
     
     
     
     
     
           
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